A SOCIOLOGIA CLÁSSICA: Karl Marx (II)

O trabalho é uma categoria que ocupa papel fundamental na concepção marxista da história. Inspirado nos pensadores socialistas que o antecederam, Marx desenvolveu intenso trabalho teórico de análise da realidade sócio-econômica da sua época e das outras etapas da história da humanidade para entender a lógica do sistema capitalista. O resultado desses estudos foi a publicação de O Capital, obra em que ele analisa a formação e a estrutura dinâmica do modo de produção capitalista e, elaborando o conceito de mais-valia, desvenda os mecanismos modernos de exploração da classe trabalhadora. Na prática, o filósofo alemão se engajou ativamente na organização do movimento dos trabalhadores de sua época. Participou diretamente da fundação da Associação Internacional dos Trabalhadores instalada em Londres, em 1864, e nela travou intenso debate com o russo Mikhail Bakunin (1814-76), principal expoente do anarquismo, corrente que exercia forte influência sobre o movimento operário europeu da segunda metade do século XIX. Os anarquistas viam na destruição imediata do Estado o primeiro passo para a revolução social enquanto o Marx, coerente com os fundamentos do seu sistema filosófico, preconizava a revolução da sociedade por um outro caminho.

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Talvez a maior contribuição intelectual de Marx tenha sido justamente a percepção de a sociedade, em qualquer época, se organiza como um sistema, ou seja, uma totalidade historicamente situada, em que os aspectos econômicos, sociais, políticos e cultural-ideológicos estão íntima e intrinsecamente relacionados. Para abarcar a realidade de uma formação social, no conjunto das múltiplas e complexas relações que vinculam todos os seus elementos, Marx elaborou o conceito de Modo de Produção. Por modo de produção, Marx entende uma determinada forma de produção da vida material que corresponde, por sua vez, a certo estágio de desenvolvimento das forças produtivas e à determinadas relações de produção. Sobre essa “infra-estrutura” da sociedade se ergue, segundo ele, uma “superestrutura” política, jurídica, e cultural-ideológica. O papel desse conjunto de instituições é justificar, legitimar e reproduzir tais relações de produção. O Estado, o direito, a religião, a escola, etc. serviriam, portanto, para manter a ordem vigente e a dominação de uma classe sobre o conjunto da sociedade. Marx identificou ao longo da história da sociedade os seguintes modos de produção que teriam predominado em cada período: o comunismo primitivo, o escravismo antigo, o feudalismo medieval e o capitalismo moderno. Ele afirma que a passagem de um modo de produção à outro ocorre quando o avanço no nível das forças produtivas entra em contradição com as relações sociais de produção existentes. Nesse momento, essas relações de produção e propriedade passam a entravar o desenvolvimento econômico e todo o sistema entra em crise.

Para Marx, a luta de classes é o “motor da história” e, por isso, cabe à classe social que tem um caráter revolucionário intervir, nesse momento de crise, através de ações concretas e de uma prática consciente para que as transformações necessárias possam ocorrer. Desse modo, novas instituições jurídicas, políticas e ideológicas substituem as velhas estruturas de poder de forma a se adaptarem à nova realidade econômico-social, permitindo seu pleno desenvolvimento. Foi o que ocorreu na passagem do feudalismo para o capitalismo, quando as revoluções burguesas, do final do século XVII a meados do século XIXI, destruíram os últimos vestígios do mundo feudal e abriram caminho para a era industrial e a consolidação do capitalismo. No Manifesto comunista, publicado em 1848, Marx afirma que “a história de todas as sociedades que existiram até nossos dias tem sido a história da luta de classes”, em que opressores e oprimidos se enfrentam num conflito mais ou menos aberto ou velado. O capitalismo também teria criado, pela sua própria condição, uma classe revolucionária: o proletariado. Este deveria se organizar para, no momento oportuno, tomar o poder e destruir o capitalismo. A ditadura do proletariado promoveria a abolição da propriedade privada dos meios de produção, condição para o desaparecimento das classes sociais e do Estado. A revolução socialista abriria caminho, por sua vez, para o surgimento da sociedade comunista.

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A SOCIOLOGIA CLÁSSICA: Karl Marx (I)

KARL MARX (1818-83), pensador alemão de origem judia, foi, sem dúvida, um dos pensadores que mais influenciaram o mundo contemporâneo. Filho de uma família relativamente rica e culta demonstrou, desde cedo, entusiasmo pelo estudo da filosofia, da história e do direito. No tempo de universidade vinculou-se ao grupo dos hegelianos de esquerda e se envolveu, gradativamente, com o movimento político europeu. Perseguido por suas idéias na Alemanha e na França, onde participou das barricadas da revolução de 1848, acabou exilando-se na Inglaterra. Foi um dos poucos grandes pensadores que romperam com uma tradicional dependência e subserviência dos intelectuais aos poderosos e suas instituições representativas. Viveu com a mulher e os filhos dos parcos recursos que obtinha, escrevendo para alguns jornais e, no fim da vida, teve que contar com a ajuda financeira de seu inseparável amigo e colaborador intelectual Friederich Engels (1820-95). Pensador com vasta cultura e rara erudição, Marx realizou uma síntese genial do que havia de melhor no pensamento do século XIX. A economia política inglesa, o socialismo utópico francês e a filosofia alemã estão fundidos e reelaborados na sua filosofia.

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A base da filosofia marxista é o materialismo dialético que rompe totalmente com a filosofia idealista e recoloca a concepção dialética da realidade em bases materialistas. Em A ideologia alemã Marx fez uma crítica contundente ao idealismo hegeliano que teria invertido a relação entre o que é determinante (a realidade material) e o que é determinado (as representações e conceitos acerca dessa realidade). Na concepção marxista, “não é a consciência dos homens que determina seu ser social, mas, ao contrário, o seu ser social é que determina sua consciência”. Além disso, Marx também entende o desenvolvimento histórico-social como um processo dialético, mas enquanto na concepção hegeliana isso servia para legitimar a ordem vigente, no pensamento marxista a dialética dá um significado diferente para os conflitos presentes na sociedade. E,mais ainda, o materialismo dialético permite compreender a história em seu movimento, considerando cada etapa como um momento transitório, mas que pode ser transformado pela ação humana.

Através do materialismo histórico Marx procurou descrever a história real dos homens em sociedade a partir das condições materiais de sua existência. Na concepção marxista, o homem não pode ser pensado de maneira abstrata ou de modo isolado, como fizeram tantos outros filósofos. Ele afirma, em Teses sobre Feuerbach, que não existe um indivíduo formado fora das relações sociais. Isso significa que, para ele, a forma como os indivíduos se comportam, agem, sentem e pensam está condicionada pela forma como se organizam as relações sociais. Estas relações são, por sua vez, determinadas pelo modo de produção da vida material, ou seja, pela maneira como os homens trabalham e produzem os meios necessários para a sustentação material da sociedade. Ao se referir à produção da vida material, portanto, ele não está se referindo somente à produção das diversas coisas que são necessárias para a manutenção física dos indivíduos, mas está considerando também o fato de que, ao produzirem essas coisas, os homens constroem a si mesmos como indivíduos. No prefácio de Contribuição para a crítica da economia política, o filósofo afirma que “o modo de produção da vida material condiciona o processo geral da vida social, política e espiritual”.

A SOCIEDADE DO BRASIL COLONIAL

A SOCIEDADE DA REGIÃO AÇUCAREIRA

A sociedade colonial da zona açucareira se caracterizava por ser essencialmente rural, conservadora e patriarcal. Era uma sociedade marcada, também, pela forte polarização e pela rígida estratificação. No topo da pirâmide social se encontrava a figura do senhor de engenho, o grande proprietário que era um dos “homens bons” da região. Tinha total autoridade, não só sobre a sua família, mas também sobre todos aqueles que viviam em suas terras e que dele dependiam. Além disso, existia toda uma clientela de pequenos e de médios lavradores que dependia da sua moenda ou de seus favores e, assim, lhe prestava obediência ou reverência.

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Os escravos formavam a maioria da população e viviam em condições de extrema exploração, submetidos pela violência. Aqueles que trabalhavam e viviam na casa-grande tinham um tratamento, naturalmente, diferenciado dos outros escravos. Existia, também, um contingente de trabalhadores livres ou de assalariados, como pedreiros, carpinteiros ou caldereiros. A população móvel contava com clérigos e funcionários da Coroa, mascates e traficantes de escravos, mestiços, negros forros, mendigos, prostititutas, etc.

 

A SOCIEDADE DA REGIÃO MINERADORA

A sociedade que surgiu da zona da mineração também era patriarcal e autoritária, mas ao contrário da sociedade da região do açúcar apresentava uma formação social tipicamente urbana e se caracterizava por uma maior mobilidade. Além disso, a população da região das minas era bem mais diversificada, incluindo um segmento de classe média que tornava a sociedade menos polarizada. A elite era formada pelos grandes mineradores e ricos comerciantes, além dos altos funcionários da Coroa e seus representantes na colônia. Uma numerosa classe média urbana, constituída de pequenos mineradores e comerciantes, artesãos, profissionais liberais, militares e clérigos, além de uma população itinerante de tropeiros, artistas, etc. formava um setor intermediário. Na base da estrutura social estavam os numerosos brancos pobres, mestiços e escravos, empregados nas mais diversas funções, especialmente na atividade mineradora. Considerem-se, ainda, uma parcela considerável da população constituída por mendigos, salteadores, aventureiros, etc.

A enorme riqueza e opulência geradas pelo ouro fizeram com que a colônia vivesse seu primeiro surto de desenvolvimento cultural. Boa parte da riqueza foi utilizada na construção e na ornamentação de igrejas, de estilo barroco, e em santuários. A obra extraordinária do escultor Aleijadinho é mundialmente admirada e reconhecida pelo seu valor artístico. Na região das Minas surgiram, naquela época, as academias de literatura nas quais despontaram os poetas do chamado Arcadismo: Cláudio Manuel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga, Alvarenga Peixoto, etc. Muitos desses escritores participaram, por exemplo, da Inconfidência Mineira e constituíram o núcleo inicial de uma elite que, depois, teria atuação fundamental no movimento de independência do Brasil. Apareceram, também, os primeiros vultos brasileiros, dignos de destaque, na produção musical. A música, tal como as outras manifestações culturais do período colonial, estava diretamente vinculada à religião. Embora fosse uma transposição das manifestações da música erudita europeia, apresentam certa originalidade e são de grande beleza, como as composições do padre José Maurício.

O POSITIVISMO DE A. COMTE

AUGUSTE COMTE (1789-1857) estudou matemática e ciências na Escola Politécnica de Paris e foi secretário e discípulo de Henri Saint-Simon, filósofo socialista que lhe inspirou as primeiras reflexões e estudos sobre as questões econômicas e sociais. Paradoxalmente, esse pensador de temperamento intempestivo e depressivo que elaborou uma doutrina baseada na extrema valorização do método científico, passou os últimos anos de sua vida tentando criar uma nova seita religiosa, cujos “santos” eram pensadores como Shakespeare, Galileu, Newton e Adam Smith.

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O Positivismo, doutrina criada por Comte, se constitui num verdadeiro culto à razão que sacraliza o método científico. A filosofia positivista recusa qualquer discussão metafísica e se fundamenta, exclusivamente, nas chamadas ciências positivas, isto é, que estão baseadas nos fatos e na experiência. A doutrina positivista teve como traços fundamentais a confiança absoluta nos benefícios da industrialização e um acentuado otimismo em relação ao progresso capitalista, embora tenha assumido características bastante diferenciadas nos países ocidentais por onde sua influência se espalhou, a partir da segunda metade do século XIX. É uma doutrina que refletiu no plano filosófico o entusiasmo da burguesia com o triunfo do capitalismo industrial e o progresso técnico-científico. Sua influência sobre o pensamento das elites dirigentes se estende até os dias de hoje.

Em seu “Curso de filosofia positiva”, Comte expôs sua concepção sobre a evolução histórica e cultural da humanidade, que segundo ele, passa sucessivamente por três estágios diferentes. No estado teológico ou fictício, que representa o ponto de partida da inteligência humana, os fenômenos são vistos como produzidos por seres sobrenaturais. No ponto culminante desta etapa, o ser humano teria substituído o politeísmo pelo monoteísmo, que tem um caráter ético. O segundo estágio, o metafísico ou abstrato, é aquele em que a influência dos seres sobrenaturais é substituída pela ação de forças abstratas que representariam os seres do mundo. Por fim, no estágio científico ou positivo, que representa a etapa definitiva de sua evolução racional, o ser humano consegue entender os fenômenos do mundo através do uso combinado da observação e do raciocínio.

Numa outra obra, intitulada “Discurso sobre o espírito positivo”, o pensador francês procura distinguir sua doutrina das demais filosofias apontando suas características fundamentais. Primeiro, seu compromisso com a realidade pesquisando fatos concretos, acessíveis a nossa inteligência. Preocupação com mistérios impenetráveis ou investigações sobre as causas primeiras e últimas dos seres são, de acordo com ele, especulações infrutíferas, vazias e estéreis. Em segundo lugar, devem-se buscar conhecimentos que tenham utilidade e possam aperfeiçoar o homem como individuo e como ser social. Uma terceira característica é a busca de um conhecimento universal e preciso, que esteja baseado em enunciados rigorosos e que evitem ambigüidades e dúvidas.

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Isso não significa que o Positivismo pretenda encontrar um conhecimento definitivo ou verdades acabadas. Pelo contrário, aceita a relatividade do conhecimento científico que precisa estar aberto para novas teses que possam aperfeiçoar e fazer avançar constantemente a ciência. O objetivo do método positivo de investigação é a pesquisa das leis gerais que regem os fenômenos naturais, mas, diferente do empirismo puro que reduz o conhecimento científico exclusivamente aos fatos observados, o Positivismo entende que o papel das ciências é formular leis gerais que possam ser organizadas e sistematizadas de modo a construir um conjunto dotado de harmonia lógica. Com base nesse conhecimento o homem poderia prever os fenômenos naturais e agir de maneira consciente sobre a realidade. O conhecimento científico torna-se, assim, num instrumento que permite ao homem o domínio sobre a natureza e o controle da realidade material, que ele pode transformar. “Ver para prever” é o lema da ciência positiva.

Por outro lado, a expressão “Ordem e progresso”, cunhada pelo próprio Comte, é o lema que define a sociologia positivista. Sua concepção conservadora e autoritária da sociedade estava perfeitamente afinada com a visão da burguesia e seu interesse em justificar ideologicamente a nova ordem social estabelecida com o capitalismo industrial. Ao contrário dos filósofos franceses chamados de “socialistas utópicos”, que tinham defendido a revolução das instituições sociais de sua época, Comte propôs uma reorganização da sociedade. Para ele, tratava-se antes de uma regeneração das opiniões (idéias) e dos costumes (ações) dos homens, ou seja, de uma reestruturação intelectual e moral das pessoas. A reforma da sociedade proposta pelo positivismo condena a revolução política e assume um caráter reacionário com relação aos conflitos sociais gerados pelo capitalismo. Defende a legitimidade da exploração industrial e justifica a divisão das classes sociais afirmando que cada uma delas cumpre um papel essencial e necessário num sistema que, estando em ordem, progride naturalmente.

O SURGIMENTO DA SOCIEDADE DE CLASSES

As transformações que ocorreram ao longo do neolítico fizeram desaparecer, aos poucos, o comunismo primitivo que caracterizou a sociedade pré-histórica. Surgiram instituições como a família, organizada em forma de clãs sob a autoridade patriarcal. O clã era constituído por todas as pessoas que descendiam de um mesmo antepassado e estavam ligadas entre si por laços de parentesco. O membro mais velho, o patriarca, exercia uma autoridade política, jurídica e religiosa sobre o grupo. A união de vários clãs, distribuídos em várias aldeias, formava uma comunidade maior que era a tribo.

Em determinadas circunstâncias, que constataremos no estudo das primeiras civilizações, a produção de excedentes econômicos (certa abundância e a possibilidade de armazenar alimentos) permitiu a gradativa separação entre o trabalho braçal e o trabalho intelectual ou especializado em funções dirigentes. Enquanto a maioria da população continuou vinculada ao trabalho produtivo direto, na agricultura, no pastoreio ou no artesanato, alguns passaram a exercer funções administrativas, religiosas, militares.

Por outro lado, esse grupo dirigente, que vai se reproduzindo aos poucos como uma classe dominante, foi se apropriando de parte das terras e rebanhos que, até então, constituíam propriedade coletiva de toda a comunidade. O surgimento da propriedade privada conjugada com a separação entre o trabalho manual e o intelectual originou as primeiras diferenciações dentro da sociedade. Esse processo levou ao aparecimento das classes sociais e, portanto, ao gradativo desaparecimento da sociedade comunal (igualitária).

Em outras sociedades, como entre os gregos e os romanos, a divisão desigual da terra comunitária entre as famílias que formavam um clã também levou, com o tempo, ao aparecimento de uma sociedade de classes. Outro fator que contribuiu para acentuar essa tendência foi o surgimento da escravidão. Seja pela guerra, quando se escravizam outras populações ou povos vizinhos depois de derrotá-los, seja pela instituição da escravidão por dívidas, que permitia escravizar aqueles que, dentro de uma comunidade, não conseguiam pagar seus credores.

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Com a formação das primeiras sociedades estratificadas e hierarquizadas surgiram duas instituições importantes que marcaram a passagem para a civilização: o Estado, dirigido por altos funcionários e chefes guerreiros, cuja função passou a ser a defesa e a manutenção da ordem interna (e a conquista externa) e a religião, controlada por uma casta de sacerdotes, que refletiu a passagem de uma época em que ainda era muito precário o domínio sobre a natureza (“espíritos” bons ou maus habitavam todas as coisas), para uma fase em que o homem passou a acreditar que poderia influenciar os acontecimentos através do culto aos deuses e da realização de rituais.

A formação do Estado, e com ele o surgimento dos primeiros registros escritos feitos pelo homem, marca o aparecimento das primeiras civilizações. Nessa época, ou seja, no IV milênio antes de Cristo, a substituição de instrumentos de pedra por instrumentos, ferramentas e armas de cobre, de bronze e, depois, de ferro assinalam o início da Idade dos Metais, que se prolonga pelo período histórico propriamente dito. Por volta de 3.200 a.C., no sul da Mesopotâmia (atual Iraque) nasceram as primeiras cidades, centros religiosos em torno de um templo, local de intenso comércio e artesanato especializado. A “revolução urbana” coincide, portanto, com a passagem da barbárie para a civilização e o início da História.

O QUE É IMAGINAÇÃO SOCIOLÓGICA

A palavra sociologia tem origem na fusão de dois termos: societas, termo em latim que significa sociedade, e logos, termo grego que significa estudo, ciência. A Sociologia, através de um estudo sistemático do comportamento social e dos grupos humanos, busca compreender as relações sociais e como estas influenciam o comportamento dos indivíduos. Procura explicar, ainda, como as sociedade estão estruturadas e como se transformam ao longo do tempo. Assim, como as demais Ciências Humanas, a Sociologia tem como objetivo compreender e explicar as permanências e as transformações que ocorrem nas sociedades humanas. Através de seus métodos de investigação, nos fornece conceitos e outras ferramentas que possibilitam analisar as questões sociais e individuais de um modo mais metódico, organizado, coerente e fundamentado, que ultrapassa o senso comum.imaginação socio

Um método muito utilizado pelos sociólogos é a chamada “imaginação sociológica”, conceito desenvolvido por C. Wright Mills, a habilidade desenvolvida pelos cientistas sociais que permite uma analise mais ampla e cuidadosa da realidade a ser estudada, permitindo ir alem das experiências e observações pessoais, ou seja, baseando-se na capacidade de analisar a sociedade como uma pessoa estranha o faria, ao contrário da perspectiva limitada e impregnada de preconceitos daqueles que estão imersos nessa realidade. Trata-se de um recurso que os filósofos costumam chamar de “efeito do estranhamento”, e que permite a um cientista distanciar-se da realidade que ela observa para tentar compreendê-la, com um olhar diferente. A Sociologia se utiliza, também, dos conceitos elaborados pelas outras ciências sociais e faz análise de dados quantitativos que são obtidos pelas estatísticas.